Volume VII, Edição 1 / Dezembro 2002

O que você deve saber sobre isoflavonas...

O QUE SÃO ISOFLAVONAS?

As isoflavonas são substâncias presentes principalmente na soja e em seus derivados. São denominadas fitoestrógenos por apresentarem semelhança estrutural com os hormônios estrogênicos, encontrados em maior concentração nas mulheres.

As isoflavonas podem ocorrer em diversas formas moleculares: as que ocorrem naturalmente nos grãos de soja e na farinha de soja; as que são formadas no processamento industrial da soja e as que são formadas durante o metabolismo da soja no organismo.

CONTEÚDO OU TEORES DE ISOFLAVONAS NOS PRODUTOS COMERCIAIS.

Existe variação nos níveis das isoflavonas nos produtos comerciais, visto que a quantidade destas substâncias nos vegetais varia em função do plantio, clima, disponibilidade de água e variedade da espécie vegetal. A forma de obtenção e processamento industrial do produto também influenciam nos teores finas de isoflavonas.

EXISTE CONTROLE SOBRE A VARIAÇÃO DOS TEORES DE ISOFLAVONAS NOS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS?

A grande maioria dos produtos ainda não tem, pois não existe controle efetivo da matéria-prima, dificultando a padronização da concentração de isoflavonas contidas nestes produtos.

AS ISOFLAVONAS SÃO APROVEITADAS DE FORMA IDÊNTICA POR TODAS AS PESSOAS?

Não. A absorção varia com a dieta, sensibilidade individual, perfil genético e fase da vida de cada organismo. A estrutura das isoflavonas, o processamento industrial e a composição do produto também influenciam sua absorção e a sua utilização no organismo.

ONDE ENCONTRAMOS ISOFLAVOVAS?

As isoflavonas são encontradas nos grãos de soja, nos brotos de alfafa, nas sementes de linhaça, entre outros vegetais. Na soja, as isoflavonas estão distribuídas em todo o grão, tendo maior concentração (teor) no gérmen do grão de soja.

QUAIS SÃO OS EFEITOS DAS ISOFLAVONAS NO ORGANISMO?

Até o momento, as evidências científicas, sobre os efeitos das isoflavonas, permitem reconhecer como “real” apenas o uso para o alívio das ondas de calor associadas à menopausa (“fogachos”) e como auxiliar na redução dos níveis de colesterol do sangue, desde que prescrito por médico, tendo em vista a quantidade e o período de utilização estar relacionado com a condição de saúde do indivíduo e as restrições aos grupos populacionais específicos.

Todas as outras alegações das isoflavonas relacionadas ao câncer, osteoporose, reposição hormonal e redução do risco de doenças cardiovasculares não têm comprovação científica suficiente para justificar o seu uso.

A substituição de tratamentos convencionais por isoflavonas ou mesmo sua introdução complementar em esquemas terapêuticos só deve ser feita após avaliação sob exclusiva responsabilidade do médico responsável pelo tratamento.

AS ISOFLAVONAS, DO PONTO DE VISTA DA AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA), SÃO ALIMENTOS OU MEDICAMENTOS?

Dado o perfil de uso e indicações terapêuticas, as isoflavonas são consideradas como medicamentos, com obrigatoriedade de registro, não se enquadrando na legislação brasileira de alimentos.

Os produtos alimentícios à base de soja, que naturalmente contêm isoflavonas, podem ser analisados como alimentos. Ressalta-se que por ser considerado alimento o produto não deve apresentar alegações medicamentosas e/ou terapêuticas que façam alusão à prevenção e cura de doenças. Para os alimentos são permitidas apenas alegações, após avaliação e aprovação da ANVISA.

ATENÇÃO:

- Atualmente existem apenas dois produtos industrializados como medicamentos fitoterápicos aprovados pela ANVISA no Brasil;

- A legislação brasileira não permite as designações “suplemento alimentar a base de isoflavonas” ou “complemento nutricional à base de isoflavonas” e “contém isoflavonas” ou “fonte de isoflavonas” impressas nos rótulos de produtos alimentares derivados de soja, mesmo aqueles registrados na ANVISA.

Empresa participante do Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade TA 5374

Maria Christina Smith Dias Farmacêutica-bioquímica Responsável pela Pharmacus Farmácia de Manipulação®