Volume VI, Edição 1 / Agosto 2003

Hepatite C, um inimigo silencioso.

O QUE É?

É uma inflamação do fígado causada pelo vírus da Hepatite C (HVC).

COMO SE ADQUIRE?

A infecção se manifesta pelo contato com o sangue de uma pessoa infectada. Situações de risco são as transfusões de sangue, uso compartilhado de seringas e agulhas (usuários de drogas, tatuagens e piercings) e acidentes nos quais os profissionais da saúde fincam-se com agulhas ou são atingidos por secreções de paciente contaminado. Portanto, adquire-se hepatite C pelo contato entre o sangue ou secreção contaminada com o sangue, mucosas ou pele machucada. A transmissão sexual não é freqüente (5%) e a transmissão da gestante para o feto é rara. Não são conhecidos casos de transmissão pelo leite materno.

Apesar das formas conhecidas de transmissão, 20 a 30% dos casos ocorrem sem que se possa demonstrar a via de contaminação.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

Muitos portadores do HVC não mostram sintomas. No entanto, algumas pessoas com o vírus, sentem sintomas de gripe, que incluem fadiga, náusea, febre, perda de apetite, dor de estômago e diarréia. Alguns também têm a urina amarela escura e fezes claras, apresentando olhos e pele amarelados.

QUEM DEVE SER TESTADO?

Quem recebeu transfusão de sangue antes de 1990.

Quem se submeteu a transplante antes de Julho de 1992. Pessoas que receberam coagulantes concentrados antes de 1987.

Pacientes de hemodiálise crônica. Pessoas que já injetaram-se com drogas ilegais, mesmo que tenham sido poucas vezes, há muitos anos atrás. Profissionais as saúde pública e de segurança pública, após a exposição a sangue contaminado de HVC. Pessoas que tiveram contato sexual com portadores, ou mantém relações com múltiplos parceiros. Crianças nascidas de mães portadoras de HVC.

COMO A DOENÇA SE DESENVOLVE?

Diferentemente das hepatites A e B, a grande maioria dos casos de hepatite C não apresentam sintomas na fase aguda ou, se ocorrem, são leves.

Há estimativas que 85% das pessoas infectadas pelo vírus da hepatite C, anualmente, desenvolverão a doença de forma crônica, mas muitas destas pessoas não sofrerão de sintomas aparentes. Elas só descobrirão que têm a doença ao realizar exames por outros motivos, como por exemplo, para a doação de sangue. Outros casos aparecerão até décadas após a contaminação, através das complicações: cirrose em 20% e câncer de fígado, também, em 20%.

COMO O MÉDICO FAZ O DIAGNÓSTICO?

Na fase antes do aparecimento das complicações, exames de sangue realizados por qualquer motivo podem revelar a elevação de uma enzima hepática conhecida por TGP ou ALT. Esta alteração deve motivar uma investigação de doenças hepáticas, entre elas, a hepatite C.

A pesquisa diagnóstica busca anticorpos circulantes contra o vírus C (anti-HVC). Quando presentes, podem indicar infecção passada ou atual.

Com a evolução da doença aparecem alterações nos exames de sangue e na ecografia de abdômen. Muitas vezes o médico irá necessitar de uma biópsia hepática (retirada de um fragmento do fígado com uma agulha) para determinar o grau da doença e a necessidade ou não de tratamento.

São realizadas também a detecção do tipo de vírus (genotipagem) e da quantidade de vírus circulante (carga viral), fatores importantes na decisão do tratamento.

O TRATAMENTO:

Nos raros casos em que a hepatite C é descoberta na fase aguda, o tratamento está indicado por diminuir muito o risco de evolução para a hepatite crônica, prevenindo assim o risco de cirrose e câncer. Usa-se para esses casos o interferon.

Nos casos de hepatite C crônica, o sucesso do tratamento de interferon com ribavirina depende varia conforme o genótipo do vírus, carga viral e estágio da doença determinado pela biópsia hepática.

A decisão de tratar ou não, quando tratar, por quanto tempo e com que esquema tratar são difíceis e exigem um entendimento entre o paciente e seu especialista médico.

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Maria Christina Smith Dias Farmacêutica-bioquímica Responsável pela Pharmacus Farmácia de Manipulação®